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Entrevistas

STREET ART NO BRASIL E NO MUNDO

Grafite, Mural ou Tela, as obras de Eduardo Kobra são conhecidas internacionalmente

10615569_883752308303268_2236081594826816385_nMorador da periferia de São Paulo, Eduardo Kobra viu seu talento como artista despontar desde criança. Autodidata, começou a desenhar nas ruas de seu bairro por volta de 1987 e logo por toda capital paulista. Suas obras possuem traços personalizados e são conhecidas pelos murais tridimensionais ricos em técnicas de luz e sombra. Seus desenhos atravessaram fronteiras e hoje estão espalhados em mais de 14 países como Estados Unidos, Itália, Suécia, França, Polônia entre outros. Nessa entrevista exclusiva ao blog Grappiando, Kobra conta sobre suas inspirações, seu início no grafite e seus projetos.

Grappa: Conte-nos como começou sua relação com a arte e com o grafite?

Eduardo Kobra: Desde os meus oito anos de idade, minha principal diversão sempre foi desenhar. Quando completei 12 anos, já estava nas ruas grafitando como autodidata. Meu aprendizado foi de forma natural, sem nenhum conhecimento, porém me divertia, então resolvi seguir. Com isso, conheci outras técnicas, outros artistas e evolui no meu trabalho.

Grappa: Você se lembra de qual foi seu primeiro grafite que chamou mais atenção?

Kobra: Não me recordo de um momento específico, mas sim, da construção de minhas obras na cidade de São Paulo nesses mais de 20 anos. No início, minhas obras reproduziam imagens de outros artistas e quando me senti seguro para desenvolver meu próprio estilo, colocando nas imagens minha personalidade e minha opinião, isso fez toda a diferença.

Grappa: Você tem um estilo próprio de desenhar e grafitar os temas que escolhe através de murais tridimensionais. Como surgiu essa técnica? Você se inspirou em algo ou no trabalho de outro artista?

Kobra: Sou hiperativo, talvezpor isso, tenho mais de 5 diferentes projetos e isso ainda pode aumentar. Em todos eles pinto apenas o que vivo e acredito. Desde o início, meu trabalho sempre teve características mais realistas, respeitando luz e sombra, por exemplo. Com o passar do tempo, conheci sim outros muralistas, como Diego Rivera, e isso mudou o meu olhar, mas não o meu caminho.

Grappa: Falando em inspirações, quais são os artistas de arte urbana que você curte e se inspira?

Kobra: Admiro muitos, mas principalmente Banksy e Mr. Brainwash. A inspiração vem sim, mas principalmente da atitude e da força de vontade destes artistas, não do estilo.

Grappa: Você acredita que é possível trazer algo da técnica dos artistas e pintores de outras épocas e movimentos como Realismo, Barroco, Expressionismo etc para grafitar?

Kobra: A street art, por mais novo movimento que seja, tem sua essência e influência de todos estes movimentos, aliás, só chegamos até aqui por eles.

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Grappa: Você tem um projeto chamado Green Pincel. Qual o objetivo dele? Você acredita que arte e sustentabilidadeestão relacionadas?

Kobra: O objetivo é combater artisticamente os vários tipos de agressões do homem à natureza e ao meio ambiente. Acredito que qualquer tipo de agressão ao meio ambiente e aos animais deve ser combatida. Manter animais presos, ou maltratar para puro entretenimento é uma prática maldosa, que deve ser abolida definitivamente do nosso meio.

Grappa: Você realiza constantemente trabalhos internacionais. Quais são as diferenças em relação à arte urbana e ao grafite nos países em que você trabalhou e no Brasil? Você acha que é mais reconhecido lá fora do queaqui dentro?

Kobra: Acredito que por se tratar de um movimento novo, o reconhecimento no Brasil pode demorar um pouco. Mas o país tem se destacado na arte de rua e enviado cada vez mais seus artistas para grafitar fora. Neste momento estou trabalhando em um projeto nos Estados Unidos e já pintei em mais de 14 países e ainda continuo recebendo convites.

Grappa: Um dos seus últimos murais foi a figura de Chico Buarque e Ariano Suassuna. Como foi a experiência de grafitar esses dois nomes importantes para a cultura brasileira?

Kobra: Conheci pessoalmente Ariano Suassuna e ele inclusive assinou em colaboração uma de minhas obras. Sou fã do Chico Buarque e fiquei surpreso por ele autorizar a pintura e divulgar em suas redes sociais. Achei o máximo! Eles que tanto nos homenagearam com suas obras sensacionais foram tema deste projeto, que busca evidenciar figuras icônicas da cultura brasileira.

Grappa: Qual a sua opinião sobre pichação? Para você, há diferenças entre grafite e picho?

Kobra: Pixei por mais de 10 anos, mas nunca me envolvi em problemas, nunca fui preso. Acredito que a cidade é livre e cada um se manifesta da forma que achar conveniente. Penso que a única semelhança entre eles (grafite e pichação) seja mesmo o suporte, ou seja, as ruas e os muros, porque a intenção é muito diferente.

Grappa: Você tem novos projetos em mente para 2015?

Kobra: No próximo ano vou trabalhar em New York por seis/oito meses. Também estou montando um estúdio em Los Angeles em parceria com Mr. Brainwash, ícone da street art mundial.

 

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