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Entrevistas

Os belos traços de Bia Betancourt

A artista plástica Beatriz Betancourt é uma pessoa extremamente apaixonada pelo que faz. A intimidade com o lápis e o papel é algo inerente a ela. Formada em Artes Plásticas na Universidade Mackenzie e também na Escola Panamericana de Artes, ela já chegou a fazer especializações em escultura e desenho na State University of New York e cursos com pessoas renomadas do meio artístico, como Marina Saleme, Sandra Cinto, Eurico Lopes e Charles Watson. Toda essa bagagem resultou em trabalhos bonitos e arrojados, além de sua participação em muitas exposições de arte. Bia preza pelo colorido e pela sensação de movimento em suas obras, retratando esportes e paisagens de uma maneira diferente. E, o mais importante, com amor.

Quando você percebeu que a arte era a sua paixão, algo que você gostaria de seguir na carreira profissional?

Descobri que a arte faz parte de mim desde que percebi que conseguia transmitir minha imaginação através de papel e lápis. As cores e o desenho me fascinavam. Desde pequena passava horas isolada no meu próprio mundo da imaginação. No colégio, principalmente nas aulas de Química, adorava desenhar. As carteiras de fórmica da classe eram perfeitas para deslizar o meu lápis, formando figuras fantásticas com detalhes minuciosos que ocupavam todo o espaço da mesa. E rapidamente era possível apagar o desenho sem vestígios, quando o professor se aproximava! Sempre houve muito incentivo por parte dos meus pais também, que me forneciam diferentes materiais para novas experiências, e depois por
parte do meu marido. Assim, cada vez mais fui me certificando de que a arte me acompanharia por toda a vida.

Você acha que seu ingresso no mundo das artes ficou mais fácil por causa da ligação de seus pais com o meio artístico?

Com certeza… Tanto meu pai quanto minha mãe tiveram uma enorme influencia artística na minha formação. Eu sempre estava ao lado deles, aprendendo ou ajudando em qualquer coisa que eles inventassem, e isso era constante. Meu pai tinha como hobby uma oficina de marcenaria em casa, onde também guardava peças de qualquer objeto que achava interessante pra ser usado em suas criações. Ele montava aviões, barcos, carros e tudo que sua imaginação permitia. Minha mãe da mesma maneira ajudava a aperfeiçoar a criação, com seu acabamento em costura, pintura ou qualquer coisa que fosse preciso. Alguns anos atrás, fizemos uma produção enorme de casinhas de passarinhos e caixas de correio; meu pai ficava na produção e montagem com PVC e alumínio, minha mãe e eu na pintura e acabamento. Trabalhamos muito, mas foi uma época inesquecível! Como não poderia deixar de ser, tenho dois irmãos que também enveredaram para esse caminho. Um é fotógrafo subaquático e o outro é designer. Então você pode imaginar que ambiente propício para desenvolver a criatividade…

A grande maioria de suas obras remete a figuras abstratas ou a esportes variados. Por que optou por essa linha? Você pratica esportes? Prefere o abstrato?

Eu sempre quero captar o movimento, a energia e as cores, e tento transmitir essas sensações nas telas. Com o tema esporte consegui conciliar isso tudo. Além de praticar esportes (os meus preferidos são aqueles que me deixam totalmente em contato com a natureza, como corrida, Wind Surf e equitação), acompanho sempre o meu marido em suas provas de Triathlon e Ironman e levo sempre comigo papel, lápis e máquina fotográfica, a qual me ajuda a captar os movimentos que fogem rapidamente da nossa visão. Na prova da bicicleta, a mistura das rodas em alta velocidade com a sobreposição de outras, e mais todo o colorido das roupas, sapatos, capacetes, cones, público, completando com toda a energia das pessoas, tudo isso me fascina! É um ótimo local para grandes inspirações. Também uso como tema as cidades, pontes, praias, flores e pessoas. Procuro o movimento em tudo. Algumas telas são mais figurativas e outras quase ou totalmente abstratas. Nas minhas telas o abstrato se torna abstrato pela desconstrução do figurativo. Às vezes, na visão dos outros ficam somente as cores, mas eu sei a procedência da obra.

Como se chama a técnica que você usa em suas pinturas? Usa tinta acrílica ou a óleo?

Uso tinta a óleo e acrílica. Às vezes misturo, dependendo da textura e efeito que quero transmitir. A acrílica eu uso para os esportes. Por ser de secagem rápida, esse tipo de tinta permite colocar várias camadas de cores sobrepostas quase transparentes. Uso espátulas e materiais não convencionais, como esponjas de vários formatos, vassouras, rodo, serragem ou o que surgir na minha frente que pareça apropriado. Ultimamente tenho descoberto que tudo que posso desenhar é possível transformar em arame e, jogando com a luz, o efeito da sombra multiplica as imagens na parede ou em qualquer outra superfície, refletindo um desenho imaginário.

E de onde vem a inspiração?

A minha inspiração vem de tudo que me capta a atenção, tudo com que me identifico ou que me intriga. Em qualquer lugar. Até mesmo num fruteiro, com todas as cores das frutas e seus formatos, na praia ou num aeroporto. Gosto de estar sempre com papel e lápis em lugares com essa diversidade. Como as pessoas estão quase sempre se movimentando, tento captar somente as linhas necessárias para representá-los, e às vezes elas se tornam desenhos bem interessantes nas telas.

Quais são os artistas que serviram/servem de base para você? Em quem você mais se inspira?

Praticamente todos os artistas me inspiram. Uns pelas cores e outros pelos traços ou conteúdo. Dentre eles, grandes clássicos como Matisse, Michelangelo, Van Gogh e Alexander Calder, e também os mais atuais, como Vik Muniz, Cenise, David Gerstein, Sandra Cinto e Dudi Maia.

Na sua concepção, o que é ARTE?

Para mim, ARTE é uma forma de expressar a essência da alma.

Qual foi a exposição/trabalho que você mais gostou de fazer? Por quê?

Adorei fazer um trabalho em que a proposta era uma composição da pintura com o objeto, e nesse projeto contei com a parceria do meu pai (um escultor por natureza e não por profissão). Serramos uma mountain bike ao meio e instalamos  em uma tela de madeira, onde pintei a outra metade. Deu um efeito incrível! Parecia que a bike estava saltando de dentro da tela e se tornando realidade, ainda mais com o toque da tinta marrom, simulando barro. No ano passado, fiz também uma exposição com o tema Triathlon dentro da academia Reebok da Cidade Jardim e Vila Olímpia, onde o desenho transcendeu as telas. Senti a necessidade de pintar toda a parede com pessoas correndo no rodapé, ciclistas e nadadores pulando das tomadas e interruptores de luz. Foi muito divertido! Outras exposições do tema esporte foram feitas também no Centro Britânico e na abertura da primeira Runseries, corrida anual da loja Track&Field, no Shopping Vila Lobos.

Fale um pouco sobre seu trabalho para a FTM (Flap Tur Magazine), da GRAPPA. Gostou da experiência?

Está sendo uma ótima experiência trabalhar com o pessoal da GRAPPA. Eles me deixam muito à vontade para criar. Achei uma revista com o conteúdo bom, diverso e muito interessante.

Para terminar, defina seu trabalho artístico em uma palavra.

Paixão.

Você pode acessar o portfolio e as obras de Beatriz Betancourt por meio do site Biatelie.

E-mail: biabetan@gmail.com

Matéria publicada por www.grappa.com.br

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  1. Pingback: Artigo: "Os Belos Traços de Bia Betancourt" - Site Grapiando - Bia Betan - 11/09/2017

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